Saturday, October 29, 2011
chove
e cá dentro também
é vermelho e dói
caem pingos na calçada
e o que sinto cheira a ti
tem ossos
tem asas de borboleta
tem cor de sonho
escorrego do fundo para o princípio de mim mesma
e o que trago é a tua voz
imprecisa
incoerente
inconstante
transporto o meu corpo para outra de mim mesma
esta não lhe serve mais
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tiraste-me a casca
se estou sem casca não me vês porquê?
invade-me o frio
queria braços
queria pernas
queria que a casca nova fosses tu
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Monday, September 12, 2011
escondo-te
dentro das minhas mãos fechadas
recolho-te
espero-te aqui
amo-te
aqui
relembro o que foi nosso
as pegadas
entrelaço as minhas pernas nas tuas
deixa-me
deixa que eu te inale
é simples
temos músicas
temo-nos
aqui te espero
onde fica no presente o passado?
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Wednesday, February 09, 2011
fui
até ali e vim
quando voltei não me trouxe comigo
desgastei o corpo
e a vida
não mais me encontrei
o que tenho agora é casca
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Friday, July 09, 2010
recorto um coração
o meu
o que faço com ele não sei
recorto lágrimas
de anjo
de borboletas
de sorrisos
de caracóis
tenho penas que flutuam sobre o meu corpo
sou pena
voo
pra bem longe daqui
enterro os pés na areia
estou quase nua
quase sem mim
divago
se tivesse lágrimas também as recortava
se tivesse espaço entre as mãos recolhia os teus caracóis
se pudesse trazia-te comigo
e juntas enterraríamos os pés na areia
recorto-me
colo-me numa página de outro livro
de outra história
de uma em que estejas colada também
com os teus caracóis
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Sunday, May 16, 2010
tenho o meu corpo
com gavetas que abrem
para dentro
são gavetas de madeira velha e podre
partem-se ao mínimo toque
e cheiram mal
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Tuesday, April 27, 2010
sussurras-me
palavras
reencontro fragmentos de ti
retiro-me de mim mesma
e o que encontro és tu
acho as palavras desnecessárias
sussurras-me
e dos teus lábios saem metades de mim
entrego-te as minhas mãos
com dedos
com unhas
tenho um vestido branco
sou quase bonita
sussurro-te
estou aqui
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Tuesday, April 06, 2010
recordo
atrás de mim borboletas
e gotas sobre os meus cabelos
olho-te chegas
com a chuva suspensa entre os dedos
tenho uma pele de seda
tenho um penteado demasiado elaborado
e gotas que caem
e violinos que tocam
pára a chuva e sussuras
escuto-te
tens asas
e poisas atrás das minhas costas
olho-te de esguelha
o teu corpo quase cabe entre as minhas mãos
um corpo leve
que se desfaz por entre os dedos meus
como se fosse água
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Sunday, April 04, 2010
podiam ser poemas
mas são beijos
que não tenho
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Sunday, March 21, 2010
tenho
metade de mim
metade de silêncio
meio corpo
meio espaço
pouco intenso
pouco quente
muito medo
muito vago
preciso de rasgos de tempo
de cheio
de colcheias
de buracos sem fundo
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