Monday, November 23, 2009
cai a sombra
os versos
as pessoas acumulam-se
são vagas
ausentes
impresentes
sei cada uma das verdades
das mentiras
dos sussurros
das vontades
atiro-me aos olhos
e cego
e cego o medo
e cego as sombras
e cego-me a mim
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Sunday, November 22, 2009
tenho medo
que te vás embora
tu também
não quero
juntámos lágrimas
juntámos dor
juntámos sorrisos
não percebo o que se passa
não sei
mas não quero
diz-me que ficas
que ficas p'ra sempre
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Sunday, November 08, 2009
às vezes o mundo cai
e junta-se tudo o que está mal dentro de um saco
que pesa
carrega-se às costas
e tem o peso do mundo
apetece fugir
deixar o resto esfumar-se
desenterrar e abraçar só mais uma vez
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Wednesday, November 04, 2009
se as palavras não têm dono
ofereço-tas
e a vida inteira em jangadas de vidro
se os olhos observam
tragam-me a alma
inclinam-me o espírito
faço um avião de papel
agora posso voar até qualquer lado
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Sunday, November 01, 2009
os dedos cruzam-se
em frente a um laranja que arrepia
os dedos são cruzes que atam
hoje não sei bem que palavra te diria
a vida pode ser maravilhosa
ou um grande fiasco
depende sempre do nosso olhar
sobre os acontecimentos
e não propriamente dos acontecimentos em si
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Wednesday, September 30, 2009
temos uma pele que é uma casa
a nossa primeira casa
se cortamos pele cortamos parede
e dói
porque entra frio
lavamos as paredes
beijamos paredes
cuidamos paredes de outras casas
se uma pessoa não tem cabelo não tem telhado
se uma pessoa não tem olhos e ouvidos e boca e coração não tem janelas
uma casa sem janelas cheira a mofo
ponho-te um telhado de vidro
cheiras a mofo
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Monday, September 28, 2009
ruas de vento
de incerto
de chuva
se não existissem ruas ia pela floresta
subiria às árvores
segundos
que passam
nos invadem
se não fossem segundos e fossem facas
era precisamente a mesma coisa
deito-me
caibo num pedaço de chão
lá em cima nuvens cinza brancas
azul
fecho os olhos
se não tivesse unhas mas sim algodão
as cores reorganizam-se
imagino corpos que se unem
água cristalina que se parte
dedos sem unhas
florestas
céu cor-de-rosa
lambo os lábios
sabem a sal
sabem a mar
corto-me ao meio
não sai sangue
saem lágrimas
e como sou ridícula com lágrimas
corto-me
com uma tesoura afiada
somos livros desfolhados
com lágrimas vê-se tudo mais bonito
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Tuesday, September 15, 2009
olho o que se escreve
e o que encontro é nada
um zero quadrado
uma mancha
sai sangue das órbitas
dilacera-se o chão
olho e o que se faz
são espadas
ao poente
alvoradas com corvos que ensaiam
tens vermelho nos lábios e daí?
tenho medo
escondo-me numa caixa de sapatos
talvez me ponham no lixo
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olho-te
damos as mãos
e a eternidade escorrega pelos lagos translúcidos
junto o passado o presente e o futuro
aqui
neste espaço
se calhar o tempo teve a cara tapada
os olhos nublados
a voz rouca
mas agora grita
vê
pisamos pedras
bem pequenas
grãos
redimensiono os corpos
retiro-me de mim
entrego-me inteira
e sou tão eu mesma
quando estou totalmente em ti
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Sunday, September 06, 2009
tem dias em que as horas parecem meses
e os anos parecem séculos
escondo-me metade
escondo-me
se vieres encontrarás aqui vestígios
marcas de sapatos
restos de cabelos
olho nos olhos das pessoas
olho nos olhos das pessoas
e o que encontro é vazio
falta algo
falta tudo
tem dias em que os sonhos parecem de borracha
e os corações de vidro
e as asas de esponja
espero sentada a um canto
um mago guardião
com rosto cheio de rugas e cabelo cinzento longo
tem dias em que as mãos são flechas que acertam nas bochechas do mundo
arranco a vontade que me prende aqui e vou
e vou
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